Posicionamento não é slogan: é escolha (e renúncia).

Durante muito tempo, branding foi tratado como um exercício puramente criativo. Marcas buscavam ser diferentes, ousadas, conceituais. Cores chamativas, slogans inteligentes e identidades visuais complexas viraram sinônimo de marca forte. O problema é que, no mercado atual, criatividade sem clareza gera confusão — e confusão não vende.

No branding moderno, a marca que vence não é a mais criativa. É a mais clara. Clara sobre o que faz, para quem existe e por que deve ser escolhida.

Criatividade chama atenção. Clareza gera decisão. Uma marca pode até impressionar visualmente, mas se o público não entende rapidamente o que ela oferece, a atenção se perde. O cérebro humano é simples e direto. Ele quer respostas rápidas: “isso é para mim?”, “resolve meu problema?”, “posso confiar?”. Se essas respostas não aparecem em segundos, a marca falha no ponto mais crítico do branding.

Um erro comum é tentar ser genial antes de ser compreensível. Muitas marcas apostam em nomes difíceis, conceitos abstratos e mensagens vagas acreditando que isso as torna sofisticadas. Na prática, tornam-se apenas confusas. Branding não é sobre parecer inteligente, é sobre ser entendido. Quando a mensagem exige esforço para ser decodificada, o cliente simplesmente vai embora.

Clareza também reduz esforço cognitivo, e isso é extremamente valioso. Marcas claras são mais fáceis de lembrar, explicar e recomendar. Se um cliente não consegue descrever sua marca em uma frase simples para outra pessoa, algo está errado. Clareza é empatia aplicada à comunicação da marca.

Outro ponto essencial do branding moderno é o foco no problema do cliente, não no ego da empresa. Criatividade excessiva costuma nascer da vontade de se destacar. Clareza nasce da necessidade de resolver algo real. Marcas fortes deixam claro qual dor resolvem e como a vida do cliente melhora depois do contato com elas. Isso cria identificação, confiança e decisão.

Importante dizer: clareza não elimina criatividade. Pelo contrário, ela dá direção. Criatividade sem clareza é ruído. Criatividade com clareza é estratégia. Quando a marca sabe exatamente quem é, para quem fala e qual valor entrega, a criatividade passa a reforçar a mensagem em vez de competir com ela.

No cenário atual, saturado de estímulos e promessas, o consumidor busca segurança. E segurança vem de coerência, consistência e clareza. Branding moderno não é espetáculo, é construção de confiança. Marcas claras parecem mais confiáveis, mais profissionais e mais preparadas.

No fim, a lógica é simples: não basta ser lembrado. É preciso ser escolhido. E hoje, clareza vale mais que criatividade.